Dependentes químicos receberão ajuda do governo para largar o vício

 

07/06/2011 21:06

Dependentes de álcool e drogas terão moradias subsidiadas

 

Gustavo Lima
Dra. Ana Cecília Roselli Marques, médica psiquiatra e pesquisadora da Unidade de Álcool e Drogas (UNIAD) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
A psiquiatra Cecília Marques sugeriu a proibição da propaganda de bebidas.

O coordenador de Saúde Mental e Álcool do Ministério da Saúde, Roberto Kinoshita, disse nesta terça-feira, em audiência pública na Câmara, que alcoólatras e outros dependentes químicos receberão ajuda do governo para largar o vício. Segundo ele, o grupo interministerial encarregado de definir ações nesse sentido apresentará, nos próximos meses, ações concretas para que essas pessoas não só tenham acompanhamento médico e psicológico, mas sejam inseridas na comunidade por meio de moradia social — subsidiada pelo governo — e sejam capacitadas a trabalhar e ter uma renda.

Kinoshita participou de audiência da comissão especial da Câmara que analisa as causas e consequências do consumo abusivo do álcool. Aproximadamente 10% da população brasileira são dependentes de bebidas em estágio avançado e sofrem de doenças causadas pelo exagero no consumo do álcool, conforme informação destacada durante a audiência.

O relator da comissão, deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), manifestou preocupação com a estatística. "Ou seja, numa cidade como São Paulo duas milhões de pessoas já estão na fase aguda dessa doença. E o tratamento? Quem precisa de uma vaga para internar um doente de alcoolismo no País não acha em lugar nenhum, só em estabelecimento privado — e custa caro. Então, o Estado não dá conta disso”, lamentou Macris.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está na lista de países com aumento do uso excessivo de bebidas alcoólicas. Além disso, de acordo com a última pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, entre estudantes dos ensinos fundamental e médio de dez capitais brasileiras essas bebidas são consumidas por mais de 65% dos entrevistados.
Medidas

Para reverter esse quadro, a psiquiatra e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Ana Cecília Marques sugeriu, durante a audiência na Câmara, caminhos a serem seguidos. Ela defendeu o aumento do preço das bebidas, a criação de mais taxas e impostos sobre esses produtos e a proibição da propaganda, a exemplo do que já foi feito com os cigarros.

Ela também sugeriu o aumento da idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas de 18 para 21 anos, e uma ordem para que bares fechem as portas mais cedo.

A psiquiatra criticou a campanha do "amigo da vez" — aquele que fica sem ingerir álcool e dirige para os amigos que beberem: "Considero 'zero' o motorista da vez, porque só ele se salva. Os outros no carro estão todos intoxicados, com impactos sobre si mesmos e muitas vezes em casa, porque produzem violência e outros problemas."

Debates
A comissão especial sobre o consumo abusivo de álcool vai realizar conferências para debater o tema em cada região do País. Haverá reuniões em São Paulo (SP), Fortaleza (CE), Porto Alegre (RS) e Belém (PA). A primeira conferência regional acontecerá em 30 de junho na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande.

O debate foi proposto pelo deputado Marcelo Aguiar (PSC-SP), e o presidente da comissão é o deputado Geraldo Resende (PMDB-MS).

Reportagem – Renata Tôrres/Rádio Câmara
Edição – João Pitella Junior
 Agência Câmara de Notícias

 

 

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